Anestesia e inteligência artificial: como a tecnologia pode ajudar a melhorar sua segurança

Paciente está sendo sedado enquanto deitado na mesa de operação.

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A inteligência artificial está beneficiando a anestesia moderna em muitos aspectos. Veja alguns exemplos!

A anestesia moderna está sendo cada vez mais estudada para melhorar a segurança dos pacientes. O anestesiologista tem como papel principal manter o paciente inconsciente, imóvel, livre de dor, fisiologicamente estável e com suprimento suficiente de oxigênio. 

Muitas pessoas ainda têm medo de anestesias, principalmente por desconhecimento e os casos raros de acidente que são divulgados de forma alarmista. 

Porém, é importante ter em mente que com a utilização de medicamentos, técnica e materiais adequados, o anestesiologista é capaz de reduzir ao máximo os riscos da anestesia geral. 

A anestesia geral é administrada continuamente durante todo o procedimento cirúrgico. Assim, ela dura o tempo necessário para que o cirurgião realize seu trabalho completamente.

Anestesia moderna utilizando inteligência artificial é possível?

A inteligência artificial (IA) é bastante usada há alguns anos para favorecer as mais diversas áreas da saúde. Dessa forma, não é nada estranho pensar que a anestesia moderna seja uma das beneficiadas neste caminho. 

Com o objetivo de automatizar parte deste processo e permitir que os anestesiologistas possam monitorar as demais funções com maior atenção, pesquisadores desenvolveram uma IA capaz de administrar os anestésicos sem a supervisão humana. 

Para aprender a administrar a anestesia moderna, o paradigma utilizado foi a aprendizagem por reforço. Além disso, a IA deveria otimizar a administração, o que tem impacto no bem-estar e na recuperação do paciente. 

Quando o assunto são vidas humanas, todo cuidado é pouco. Por isso, para a aprendizagem foram usados dados simulados que aplicam modelos da farmacocinética e da farmacodinâmica de propofol. 

Depois do treinamento de aprendizagem e avaliação, o sistema foi testado com dados de consciência que foram coletados em salas de cirurgias. O sistema de recompensas mais eficiente foi aquele que questionava toda administração. Assim estimulava a IA a utilizar a quantidade mínima necessária de anestesia moderna para manter o paciente inconsciente.

As quantidades finais sugeridas foram muito similares àquelas recomendadas por anestesistas reais. Um grande diferencial foi a frequência de administração: enquanto que os anestesistas fazem aplicações a cada 20-30 minutos, o sistema dedicado agia a cada 5 segundos.

Outras IAs de anestesia moderna funcionam como?

As pesquisas sobre anestesia moderna e inteligência artificial são as mais diversas. O estudo que mencionamos acima foi apenas um deles. 

E mostra que a IA tem potencial suficiente para melhorar os mais diversos tipos de processos, mesmo os mais sensíveis. Os pesquisadores planejam na sequência melhorar a qualidade das fontes de dados e do monitoramento de pacientes. 

O sucesso da aplicação de dados simulados, mas que ainda sim se comportam de forma similar a dados reais, contribui para aumentar a segurança de testes futuros, que eventualmente envolvem procedimentos ocorrendo em tempo real.

Mas vejamos outro modelo. O anestesiologista precisa registrar dados a cada cinco minutos durante o procedimento cirúrgico. É necessário anotar, analisar os sinais vitais e documentar minuciosamente os parâmetros. Só assim será capaz de elaborar uma capacidade preditiva sobre os efeitos dos anestésicos e o sucesso da cirurgia. 

Um exemplo de dado é a hipotensão transoperatória, que a IA prevê com 20 minutos de antecedência. Isso quer dizer, 20 minutos antes da pressão arterial do paciente cair drasticamente, a IA avisa e possibilita aos médicos intervirem a tempo. 

O volume de informação produzido em uma cirurgia é altíssimo, por exemplo, em uma cirurgia de quatro horas, podemos imaginar uma média de 400 anotações. 

Vale ressaltar que ainda hoje essas anotações, em muitos lugares, são feitas à mão, em folhas A3, pelo próprio anestesiologista. Informações essas que dificilmente serão resgatadas depois de arquivadas. 

Mas é por meio da inteligência artificial que esse cenário muda. Pois, assim, é possível registrar e aproveitar melhor esses dados, cruzando detalhes e gerando mais aprendizados. 

No Brasil já é possível encontrar uma empresa que ajuda os médicos anestesistas a realizar o prontuário anestésico de forma digital, estruturando todos os dados do paciente. 

Quais os riscos da anestesia moderna?

Apesar de ser extremamente segura, a anestesia moderna não está 100% livre de riscos ou complicações. Os maiores problemas relacionados à anestesia moderna geral, são os cardiovasculares e respiratórios. 

Muitas dessas complicações podem ser previsíveis e prevenidas através da entrevista pré-anestésica. Entre as principais queixas de pacientes estão a tosse, náuseas, vômitos e reações alérgicas.

Porém reações alérgicas graves (anafilaxia, conhecido como “choque anafilático” ou “edema de glote”) são muito raras.

Como o paciente pode ajudar a diminuir os riscos da anestesia geral?

O primeiro passo é responder todas as perguntas da entrevista pré-anestésica de forma completa e sincera. 

Além disso, é necessário relatar possíveis reações às anestesias anteriores. Informar algum ponto que considere importante mesmo que não tenha sido questionado. 

Parar de fumar pelo menos duas semanas antes da cirurgia. Respeitar rigorosamente o tempo de jejum. Por fim, esclareça todas as suas dúvidas com a equipe médica.

A maioria das queixas e insatisfações no pós-operatório se deve à falta de comunicação.




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